quinta-feira, 10 de março de 2016

Entrevistas

Entrevistamos duas nutricionista, para saber um pouco dos seus anseios e perspectivas em relação ao mercado de trabalho da profissão.
1. Layanne Rodrigues Trindade Sampaio, graduada em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia (2014.1).

Fale um pouco sobre a situação do mercado de trabalho da nutrição a partir de sua experiência pessoal:
Enquanto estudante, participei de pesquisa de iniciação científica e de programas de ensino e extensão com ênfase no cuidado nutricional no contexto ambulatorial e na vigilância nutricional do trabalhador. Durante a graduação não tive oportunidade de me envolver com atividades extra faculdade, por isso não tive, durante esse período, contato com o mercado de trabalho. Agora, com aproximadamente 1 ano e 8 meses de formada ainda não experimentei nenhum contato direto com o mercado de trabalho. Na verdade, parte dessa falta de contato foi consequência de uma escolha. Hoje sou nutricionista residente pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família (uma parceria entre as instituições Fiocruz e Fesf-SUS). Nesse programa os profissionais atuam na atenção básica e o nutricionista é um dos componentes da equipe do NASF. Futuramente, pretendo continuar na área de Saúde Coletiva, penso em seguir carreira acadêmica e/ou continuar atuando no NASF.

Você sente que a profissão é valorizada? Por quê?

Na minha opinião a valorização do profissional é muito relativa, acredito que depende da área em que ele escolher atuar. Hoje a Nutrição Esportiva e Funcional estão no auge e os profissionais que optaram por essas áreas são os que possuem mais prestígio e visibilidade midiática, já o nutricionista que atua na área de UAN (Unidades de Alimentação e Nutrição – cozinhas de restaurantes, indústrias, etc), na minha opinião, não é valorizado, não tem visibilidade e, na maioria dos casos, possuem excesso de trabalho. Na atenção básica, área que estou atuando, a profissão tem um futuro promissor. De fato, ainda temos um modelo de atenção centrado no profissional médico, mas com a implementação da Política Nacional de Atenção Básica e consequentemente do NASF essa visão tende a mudar. Na Unidade de Saúde em que estou atuando o nutricionista é bastante valorizado tanto pelos usuários quanto pelos outros profissionais de saúde.

O piso salarial do nutricionista depende de alguns critérios como: carga horária, experiência profissional, área de atuação, etc. Um profissional com carga horária semanal de 40 horas possui piso salarial no valor de R$ 2.963,50  de acordo com o Sindicato dos Nutricionistas da Bahia (SindNut). Vale ressaltar que a profissão é relativamente recente, possui menos de 80 anos no Brasil, por isso acredito que existe uma tendência de crescimento e valorização da profissão.
Você teve contato com o mercado de trabalho durante a sua graduação?
No início da graduação ouvir de algumas pessoas que nutricionista só estudava para passar dietas, como se não houvesse nenhuma base cientifica nesse ofício e que qualquer pessoas poderia desenvolver as atividades e competências de um nutricionista sem precisar estudar anos. Definitivamente essas pessoas estavam equivocadas, estudamos muito e podemos atuar em diversas áreas, além disso, prescrever uma dieta é muito mais difícil do que parece e requer muito estudo, muita pesquisa e seriedade. Infelizmente, ainda somos profissionais muito estereotipados, mas temos lutado por mais espaço e valorização. Por isso, tenho esperança em um futuro melhor para a profissão. 

2. Giuliane Araújo, nutricionista graduada pela UFBA

Fale um pouco sobre a situação do mercado de trabalho da nutrição a partir de sua experiência pessoal:
O mercado de trabalho para quem se forma no curso de Nutrição é bem abrangente. Me formei recentemente em Agosto de 2015. Segundo dados do Conselho Federal de Nutrição, a área que concentra o maior contingente de nutricionistas é a nutrição clínica (spas, hospitais, clínicas e consultórios), com 41,7%, seguida da alimentação coletiva (empresas e restaurantes) com 32,2%. Há também nutricionistas atuando em ensino (docência), saúde coletiva, alimentação escolar, exército, marinha, penitenciárias, nutrição esportiva e  indústria de alimentos, mas em percentual menos expressivo. Entretanto, a busca pelo diferencial se torna cada vez mais importante dentro desses segmentos, ampliando as oportunidades profissionais do Nutricionista. Áreas como a nutrição estética, nutrigenômica e nutrigenética, atuação como personal diet, nutrição esportiva, desenvolvimento de novos produtos, gastronomia, marketing nutricional, segurança alimentar e nutricional, consultoria nutricional, coaching nutricional, estudo de alimentos e compostos bioativos, fitoterapia, entre outras.
De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), hoje no Brasil já são 100.000 profissionais. Destaca-se o segmento da alimentação coletiva, sendo hoje o maior empregador de profissionais da área da Nutrição. Atualmente, o brasileiro tem o hábito de frequentar restaurantes e mais de 50% da população faz suas refeições fora de casa. Esse é um dos fatores que aquecem o mercado de trabalho para este bacharel, que ainda nos estágios curriculares tem a oportunidade de vivenciar a rotina dentro de um serviço de nutrição. As empresas contratam um nutricionista para desenvolver cardápios e  pratos saudáveis, pois acreditam que o profissional é capaz de garantir uma melhor qualidade de vida para seus colaboradores e clientes. Quanto à questão salarial, extremamente essencial à prática profissional e reconhecimento ao trabalho exercido, cada vez mais deve ser conquistada e valorizada em todos os segmentos. Na área da alimentação coletiva, atualmente é fixado um salário normativo de R$ 1.865,15, podendo variar de acordo com as convenções coletivas de trabalho e desempenho profissional. Com a crescente preocupação das pessoas em se alimentarem melhor e, consequentemente, evitar doenças advindas da má alimentação, o mercado para os profissionais formados no curso de Nutrição tende a crescer cada vez mais. Especializar-se nesta área, investir em estudos e pesquisas é uma forma de se destacar no mercado.
A tendência será de acentuar o lado da atuação liberal, competitiva e especializada do Nutricionista, ligada fortemente aos processos de educação permanente e desenvolvimento científico. Para obter sucesso nas áreas, será necessário que o profissional se doe e enfrente os desafios associados à realidade de atuação.


Você teve contato com o mercado de trabalho durante a sua graduação?
Ainda na graduação, tive contato com várias áreas de atuação profissional: alimentação coletiva, saúde pública, nutrição clínica e hospitalar. Na área de alimentação coletiva no hospital Couto Maia, na área saúde pública no distrito sanitário do subúrbio ferroviário, e nutrição clínica hospitalar no HUPES.
 






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