Entrevistamos duas nutricionista, para saber um pouco dos seus
anseios e perspectivas em relação ao mercado de trabalho da profissão.
1. Layanne Rodrigues Trindade Sampaio, graduada em Nutrição
pela Universidade Federal da Bahia (2014.1).
Fale
um pouco sobre a situação do mercado de trabalho da nutrição a partir de sua
experiência pessoal:
Enquanto
estudante, participei de pesquisa de iniciação científica e de programas de
ensino e extensão com ênfase no cuidado nutricional no contexto ambulatorial e
na vigilância nutricional do trabalhador. Durante a graduação não tive
oportunidade de me envolver com atividades extra faculdade, por isso não tive,
durante esse período, contato com o mercado de trabalho. Agora, com aproximadamente
1 ano e 8 meses de formada ainda não experimentei nenhum contato direto com o
mercado de trabalho. Na verdade, parte dessa falta de contato foi consequência
de uma escolha. Hoje sou nutricionista residente pelo Programa de Residência
Multiprofissional em Saúde da Família (uma parceria entre as instituições
Fiocruz e Fesf-SUS). Nesse programa os profissionais atuam na atenção básica e
o nutricionista é um dos componentes da equipe do NASF. Futuramente, pretendo
continuar na área de Saúde Coletiva, penso em seguir carreira acadêmica e/ou
continuar atuando no NASF.
Você
sente que a profissão é valorizada? Por quê?
Na minha
opinião a valorização do profissional é muito relativa, acredito que depende da
área em que ele escolher atuar. Hoje a Nutrição Esportiva e Funcional estão no
auge e os profissionais que optaram por essas áreas são os que possuem mais
prestígio e visibilidade midiática, já o nutricionista que atua na área de UAN
(Unidades de Alimentação e Nutrição – cozinhas de restaurantes, indústrias,
etc), na minha opinião, não é valorizado, não tem visibilidade e, na maioria
dos casos, possuem excesso de trabalho. Na atenção básica, área que estou
atuando, a profissão tem um futuro promissor. De fato, ainda temos um modelo de
atenção centrado no profissional médico, mas com a implementação da Política
Nacional de Atenção Básica e consequentemente do NASF essa visão tende a mudar.
Na Unidade de Saúde em que estou atuando o nutricionista é bastante valorizado
tanto pelos usuários quanto pelos outros profissionais de saúde.
O piso
salarial do nutricionista depende de alguns critérios como: carga horária,
experiência profissional, área de atuação, etc. Um profissional com carga
horária semanal de 40 horas possui piso salarial no valor de R$ 2.963,50
de acordo com o Sindicato dos Nutricionistas da Bahia (SindNut). Vale ressaltar
que a profissão é relativamente recente, possui menos de 80 anos no Brasil, por
isso acredito que existe uma tendência de crescimento e valorização da
profissão.
Você
teve contato com o mercado de trabalho durante a sua graduação?
No início da
graduação ouvir de algumas pessoas que nutricionista só estudava para passar
dietas, como se não houvesse nenhuma base cientifica nesse ofício e que
qualquer pessoas poderia desenvolver as atividades e competências de um
nutricionista sem precisar estudar anos. Definitivamente essas pessoas estavam
equivocadas, estudamos muito e podemos atuar em diversas áreas, além disso,
prescrever uma dieta é muito mais difícil do que parece e requer muito estudo,
muita pesquisa e seriedade. Infelizmente, ainda somos profissionais muito
estereotipados, mas temos lutado por mais espaço e valorização. Por isso, tenho
esperança em um futuro melhor para a profissão.
2. Giuliane Araújo, nutricionista graduada pela UFBA
Fale
um pouco sobre a situação do mercado de trabalho da nutrição a partir de sua
experiência pessoal:
O mercado de trabalho para quem se forma no
curso de Nutrição é bem abrangente. Me formei recentemente em Agosto de 2015.
Segundo dados do Conselho Federal de Nutrição, a área que concentra o maior
contingente de nutricionistas é a nutrição clínica (spas, hospitais, clínicas e
consultórios), com 41,7%, seguida da alimentação coletiva (empresas e
restaurantes) com 32,2%. Há também nutricionistas atuando em ensino (docência),
saúde coletiva, alimentação escolar, exército, marinha, penitenciárias,
nutrição esportiva e indústria de
alimentos, mas em percentual menos expressivo. Entretanto, a busca pelo
diferencial se torna cada vez mais importante dentro desses segmentos,
ampliando as oportunidades profissionais do Nutricionista. Áreas como a
nutrição estética, nutrigenômica e nutrigenética, atuação como personal diet,
nutrição esportiva, desenvolvimento de novos produtos, gastronomia, marketing
nutricional, segurança alimentar e nutricional, consultoria nutricional,
coaching nutricional, estudo de alimentos e compostos bioativos, fitoterapia,
entre outras.
De acordo com o Conselho Federal de
Nutricionistas (CFN), hoje no Brasil já são 100.000 profissionais. Destaca-se o
segmento da alimentação coletiva, sendo hoje o maior empregador de
profissionais da área da Nutrição. Atualmente, o brasileiro tem o hábito de frequentar
restaurantes e mais de 50% da população faz suas refeições fora de casa. Esse é
um dos fatores que aquecem o mercado de trabalho para este bacharel, que ainda
nos estágios curriculares tem a oportunidade de vivenciar a rotina dentro de um
serviço de nutrição. As empresas contratam um nutricionista para desenvolver
cardápios e pratos saudáveis, pois
acreditam que o profissional é capaz de garantir uma melhor qualidade de vida
para seus colaboradores e clientes. Quanto à questão salarial, extremamente
essencial à prática profissional e reconhecimento ao trabalho exercido, cada
vez mais deve ser conquistada e valorizada em todos os segmentos. Na área da
alimentação coletiva, atualmente é fixado um salário normativo de R$ 1.865,15,
podendo variar de acordo com as convenções coletivas de trabalho e desempenho
profissional. Com a crescente preocupação das pessoas em se alimentarem melhor
e, consequentemente, evitar doenças advindas da má alimentação, o mercado para
os profissionais formados no curso de Nutrição tende a crescer cada vez mais.
Especializar-se nesta área, investir em estudos e pesquisas é uma forma de se
destacar no mercado.
A tendência será de acentuar o lado da atuação
liberal, competitiva e especializada do Nutricionista, ligada fortemente aos
processos de educação permanente e desenvolvimento científico. Para obter
sucesso nas áreas, será necessário que o profissional se doe e enfrente os
desafios associados à realidade de atuação.
Você
teve contato com o mercado de trabalho durante a sua graduação?
Ainda na
graduação, tive contato com várias áreas de atuação profissional: alimentação
coletiva, saúde pública, nutrição clínica e hospitalar. Na área de alimentação
coletiva no hospital Couto Maia, na área saúde pública no distrito sanitário do
subúrbio ferroviário, e nutrição clínica hospitalar no HUPES.

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